quinta-feira, 27 de março de 2008

O PORTO - Le Port - CHARLES BAUDELAIRE

Um porto é uma morada encantadora para uma alma cansada das lutas da vida.
A amplitude do céu, a arquitetura móvel das nuvens, as colorações mutantes do mar, o cintilar dos faróis, são um prisma maravilhosamente próprio para divertir os olhos sem jamais enfastiá-los.
As formas esbeltas dos navios, de enxarcia complicada, nos quais o marulho imprime oscilações harmoniosas, servem para conservar na alma o gosto do ritmo e da beleza.
E há também, sobretudo, uma espécie de prazer misterioso e aristocrático para aquele que já não possui curiosidade nem ambição, em contemplar, deitado no belvedere ou apoiado no quebra-mar, os movimentos todos daqueles que partem e daqueles que retornam, daqueles que ainda possuem a força de querer, o desejo de viajar ou enriquecer.

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