segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Passagem


Fim de ano: eu eu me recuso a falar de virada de ano convencional, hora de festa ou reflexão, quando algumas pessoas vão à igreja, mas odeiam meio mundo, pedem perdão e fazem maldade, abraçam a família da qual preferia fugir...blá, blá...

Nem vou falar dos escravos do consumismo, que se endividam em dez prestações pra dar presentes impossíveis a pessoas nem sempre amadas, ou cujo amor tem que ser comprado.

Não falarei do começo de ano amargo dos que dizem que pra eles essas datas não existem: espalham o negativismo da sua decepção com a raça humana, que na verdade, nem é tão grande coisa, portanto, não se deveria esperar que fosse.

Falo de um começo de ano distante dos natais de religiosidade fingida, amor com hora marcada, presentes supérfluos adquiridos com sacrifício.

Falo de confraternização, abraço sincero, acolhimento da famíla, que respeita a gente, mesmo quando não entende...rs

Falo de uma tentativa real de recomeçar, até onde é possível, com as pessoas que nos interessam, independente de status, grana, importância e possível utilidade...pr uma chance pro outro, é uma chance pra si mesmo...

Falo de uma entrada de ano com uma faxina na casa e na alma...jogando fora tudo que não serve mais (roupas, livros, móveis, gente...); Sem mau humor, pressão ou formalidade.

Começar, não com planos mirabolantes que não se podem cumprir, mas inventando novos modos de querer bem, sobretudo, a si mesmo. Sem isso, não tem como gostar dos outros de verdade.

Sem culpar a vida, o chefe, a família, o outro ou o destino pelas coisas que não dão certo...

Algumas pessoas saem da manada e se propõem, a cada passagem de ano, refletir sobre a sua vida mais vezes, não só numa data especial. Independente de crença, ideologia ou vivências, às vezes, uma data marcada pode nos empurrar para menos arrogância, menos futilidade e mais humanidade.


Lia Luft (com algumas adaptações.. :)P

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